sábado, 13 de junho de 2020

Aforismos de um brucutu


Sergio Ramos, zagueiro do time espanhol Real Madrid, em sua clássica chave de braço que tirou de campo o atacante egípcio Mohamed Salah, do Liverpool, na final da Champion League, de 2018 .


Caríssimo atacante. Ou qualquer ser predestinado que por insanidade ou ânsia de fama, pretenda avançar contra minha minha meta. Deixo-lhe como observação algumas palavras.
Diz-se muito sobre a virilidade de alguns marcadores.
Rotulam-nos de truculentos.
Injustiçados por sua determinação. Ao ponto de sermos taxados covardemente, como violentos.
Isso é uma infâmia.
Confundem o ofício daquele que defende.
Atribuem-nos valor.
E dizem em voz solta, que bate.
Mas o que é o bater? 
O bater no futebol, longe de ser a manifestação covarde da violência como impera no senso comum.
Ou a imprudência dos loucos.
É a manifestação do puro equilíbrio.
Da sapiência, do conhecimento anatômico e matemático.
Acima de qualquer juízo.
O bater, é um gesto de carinho
Um carinho ambíguo. Rodriguiano.
Com a quase conivência da vítima.
É um gesto de reconhecimento. E porque não, de sublimação.
O marcador é quase um esteta. 
Contempla proximamente o giro. O passe perfeito. O bailar do drible.
E de tão próximo, ceifa-lhe. 
Bate.
Gerando um outro movimento. Tenso. Com expressões próximas aos personagens mais dramáticos de Goya e Velázquez. 
Ao bater, recria a obra e o movimento.
Cria uma nova sonoridade para a partida.
Existe entre ambas as partes, mesmo que inconscientemente, uma cumplicidade no gesto.
...
Ao atacante vitimado, resta-lhe a certeza que a ação vil nada mais é do que o reconhecimento máximo de suas qualidades em campo.
Sabe disso.
Mesmo quando estendido à grama.
Sabe disso.
Com o corpo tomado em dores do encontro epopeico. 
O bom atacante não deve mal-dizer o seu algoz.
Pois esse, tal como se espera, se aproximará e dirá

- Levanta que apenas começamos.



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