domingo, 19 de março de 2017

Camisa com urucubaca


O cara não tira a camisa nem para dormir. Vai em casamento está lá, a camisa debaixo do terno.
Em enterro, aniversário da sogra e de sobrinho, até parece garoto propaganda. Lá a está, uma segunda pele, estampada com o sorriso do indivíduo na foto.
A camisa já anda sozinha.
Se abusar dá autógrafo e se escala.
Estou vendo o momento que o cara vai pedir direitos de imagem e fotografia de churrasco no fundo do quintal.
No time, já está dando o que falar.
Mas não é a presença da camisa que incomoda o grupo.
O problema é o fato de desde quando essa adentrou nosso vestiários, o nosso craque caiu de produção.
O cara batia de letra, agora dá de calo.
Bola de chapa anda subindo.
E a velocidade? Anda de cabeça baixa e resmungando.
Chegou a afirmar que estamos agindo como a imprensa, aumentando os fatos.
Que é pura intriga.
Quem dera.
Podemos até aumentar, mas que o fato existe. Ah, esse existe.
Na resenha, caiu na roda.
Virou até verbo.
Teve membro da diretoria que preocupado, procurou pastor, padre e pai de santo com a fotografia do indivíduo e a camisa para ver se era trabalho feito.
Os atletas mais espirituosos, na oração do jogo, clamam a Deus com os pulmões inflados.
Creio que alguns, estão até colocando o seu nome nas intenções de reza.
Hoje, trocou de camisa.
Não falou o motivo. Mas trocou.
Até gol fez.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Movimento parabólico

Desolados, jogadores do Bayern não acreditavam no que tinha acabado de acontecer. Final da taça da Liga dos Campeões da UEFA de 1998-1999 entre Bayer de Munique (1) e M. United (2) no Estádio Camp Nou, Barcelona, Espanha. “Três minutos de acréscimo. Dois gols. E um título surreal.” 
Fonte: https://imortaisdofutebol.com/2013/05/23/jogos-eternos-manchester-united-2x1-bayern-munchen-1999/ 

Atônito ele observava o movimento parabólico que se formava no espaço.
Contemplava impotente a bola subir a uma altura que lhe causava alívio.
Entretanto, fora a queda que mudou a história.
Seus olhos abriram-se como se quisessem saltar para fora.
Derrapava na lona com o corpo ainda deitado.
Esticou braço.
Pernas.
Até o pensamento.
Era a expressão máxima do desespero.
Mas, pouco podia fazer.
Viu-a entrar e prender-se a rede, era como se a própria dissesse "FOI GOL E PRONTO".
Desesperado e ainda de joelhos socava o chão e maldizia a sorte.
Sentia-se sozinho, humilhado. Sem chão.
Aos trinta e quatro minutos, conseguira defender quase tudo. Conseguiram marcar quase todos.
Mas o QUASE indica que algo ficou, que algo passou.
Todos estavam praticamente dentro do gol. Mas como um ato falho, esqueceram a entrada da área.
Foi uma meia bicicleta.
Um belo movimento pendular.
Havia uma perna direita livre.
Havia um meia livre.
Havia um corpo com espaço para movimentar-se.
Entre o silêncio do chute e a explosão eufórica do gol, havia uma estrela.
E como brilha essa estrela.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Na resenha


Aí, vem o indivíduo, ensopado em suor. Senta-se com os amigos em volta da mesa. Suas chuteiras ainda estão tomadas de grama recém batidas no meio fio, grita ao atendente do bar:
- Parceiro traz um cerva pra "nóis".
O Atendente responde:
- Qual?
Sem pestanejar vem a resposta, típica de quem tem sede.
- A mais gelada.
É uma relação quase mecânica. Boleiro e botequeiro são assim.
Um depende do outro.
Se o bar for na beira do campo, o dono do estabelecimento vira patrono do time. Põe o santo do vestiário na altar. Decora a parede do estabelecimento com as formações da equipe, com direito a parede de troféus e fotografia do elenco campeão. A paixão é tanta que indivíduo garante até o "doce".
Em meio ao cheiro de urina que transborda do banheiro mal acabado, surgem os mais diversos nomes e apelidos batizados nas resenhas.
Macumba.
Zé Bagaça.
Neguinho do Chinelo.
Comedor.
Indião.
Juninho Traíra.
Banana.
Queixada.
E tantos outros nomes advindos dos trejeitos físicos deste panteão de atletas.
Mas ultimamente meu amigo, a coisa anda complicada. É nome composto daqui, no diminutivo dali. Um festival de sandalinha. Dos antigos boleiros bons de resenhas monossilábicos na escolha da bebida, surgiu um tipinho, "O PATROCÍNIO MASTER".
É o chato.
Chega no bar tomado ducha
Guarda as chuteiras em necessaire.
E pior.
Escolhe bebida pela marca.
Aí não dá.
Chega ser estranha a conversa.
- Aí parceiro, tudo bem?
O dono do bar já estranha.
Sujeito limpo, de cabelo escovado. De onde veio?
- Rola uma Paulaner Hefe-Weissbier Naturtrüb?
Sem entender nada, e com a toalha que acabara de secar o suor no ombro, o pobre atendente pergunta?
- O quê?
- Se não tiver, pode ser uma Oettinger Pils ou Dab Original Dortmunder.
Bom, pensa o o nobre atendente. Estava na beira de campo. Mesmo limpo, o rapaz estava no meio da galera do time. Só podia ser resenha.
De forma sagaz, entendeu, "está me zoando, acha que não manjo de futebol".
Nesse momento, mais que depressa, o atendente do bar respondeu:
- É um bom time, mas perdeu de novo para o Bayer.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Água Milagrosa



A cabeça do boleiro é um canteiro fértil de superstições.
Toda partida de futebol na várzea tem os curandeiros de plantão, uma verdadeira equipe de mandingueiros e primeiros-socorros.
Muitas vezes o indivíduo que descansa a bordoada é o primeiro a prestar os reparos médicos ao atleta lesionado.
São diversos rituais:
O estica a perna que passa.
A turma do "não levanta não".
O "não deixa o sangue esfriar"
"Traz o doutorzinho".
Mas há um tratamento que é regra geral. Tiro e queda.
Antes mesmo de pastores venderem copinhos por  dez, cem ou mil reais, os boleiros já haviam descoberto as maravilhas medicinais da água.
Bateu a cabeça, busca água e joga na nuca. Tiro e queda.
Torceu o joelho, joga água que alivia a dor.
Vai desmaiar? Bebe água que passa.
Quer ver desespero em beira de campo. É quando tem corpo rolando na grama, e não há uma garrafa de água por perto.
É um corre-corre.
Nego correndo pra todo quanto é lado.
Atrás de um copo salvador.
Imagina se o jogo é do lado de igreja com culto.
Rapaz, seria uma invasão das chuteiras.
Ou de forma planejada e educada.
- O pastor tem copinho milagroso ai?


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Chuteiras usadas



Lembro de meu primeiro par de chuteiras. Uma OLYMPIKUS preta,  de oito travas rosqueadas, de sola toda cravejada em pregos. O tipo do material entregava as intenções de seu antigo proprietário, o Russão. Apelido que sustentava com orgulho em seu porte dois por dois abaixo de sua vasta cabeleira vermelha. Pessoa simpática, dos campos e das rodas de samba. Amou em vida três coisas: futebol, mulheres e a boa vadiagem. Povoava as ruas da Vila Recreio com seu sorriso aberto e coração mole.
Mas no campo não.
Era conhecido por sua habilidade e "amabilidade" com os adversários.
Sempre com um belo toco ou uma agulha para se apresentar.
Dizia que isso empunha respeito.
Levava-me aos campos.
Como adorava as férias de dezembro. Sabia que neste período o acompanharia em sua rotina futebolística, que ficaria horas a fio pendurado no alambrado do campo da Vila Recreio.
Quando entrei em meu primeiro time, não deu outra.
Chamou-me de canto, e ensinou-me o "cartão de visitas". Uma aula com a seriedade que se espera dos especialistas.
Em seu coração de tio, numa euforia quase paterna, correu à dispensa da casa de meus avós. Voltou de lá com um sorriso que lhe cobria o rosto largo e com um par de chuteiras surrado pelos campos da várzea londrinense.
Seus olhos grandes estavam mareados.
Continuou a sua aula, sem sorrir. Lição a lição.
Era uma cartilha de atividades de incumbência do beque na entrada da área.
O antijogo por excelência. Do tapa na bunda ao pisão no pé. A cada ensinamento, uma baforada no cigarro, que ficava de canto de boca e a célebre frase: "entrada da área é coisa séria, passou é caixa. Então não passa".
Orgulhava-se disso.
Era uma verdadeira aula de malandragem futebolística.
Dos malandros do Buracão, da Ricardo, da Fraternidade.
A chuteira era de número quarenta e dois. Mas, pelo tamanho do laceado, duvidava-se das medidas oficiais.
Experimentei-a de imediato.
Serviu. Como serviu.
Indiferente ao tamanho. Orgulhoso a arrastava para todos os campos. Das peladas aos jogos.
Corria com os pés calçados a dois meiões, que insistiam em sambar dentro daquela forma.
Era uma persistência em equilíbrio a cada corrida.
Corri com elas em terrões. Campos alagados. De grama alta ou inexistente.
Suas travas de rosca, a medida que intimidavam os adversários, causavam-me lesões nas solas dos pés. A cada jogo, uma nova área de "sangue pisado".
Eram tempos de sonhos. Jogos entre meninos que se viam homens.
Talvez a maior referência futebolística que tive em toda minha vida, foi um mito varzeano, que há vinte anos não canta. Não samba. Não bebe, e sequer arruma encrencas dentro de campo.
Um mito que ecoa na memória. Com seu eterno sorriso aberto.









domingo, 22 de janeiro de 2017

Nada se cria na boca de crocodilo



O futebol é uma fauna, repleto de animais.
Galináceos, equinos, bovinos e répteis.
Nesta fauna o bicho mais perigoso tem perna curta, rabo de arraste e boca grande.
Esse é o tal do Crocodilo, uma racinha ardilosa. Fala pelas costas e come pelo rabo.
Falseia na parceria, e no meio da malandragem  é sujeito sem consideração.
Na boca de crocodilo nada serve, nada se cria. É raça de Exu.
Sujeito encantado que bate a amizade na língua preta.
É irmão da traíra.
Virou as costas o bicho puxa o tapete.
No futebol derruba os parceiros sentado no banco.
Tem o olho ruim que cava buraco e murcha bola.
Com essa raça todo santo é pouco.
Corra com Santo Expedito.
Com Santo  Antônio.
Bata cabeça para Orixá e mesmo assim, com esse encosto, é difícil.
Quem não é do meio não entende o porque de tanta superstição.
Entra com o pé direito.
Três pulinhos e o sinal cruz.
Olha pro céu e agradece o Senhor.
É água de santo no vestiário.
Fitinha de Nosso Senhor do Bonfim.
Promessa a Nossa Senhora Aparecida.
Vale tudo para escapar do rabo deste bicho cascudo.
No campo crocodilo tem nome, sobrenome e apelido.
Esse parceiro de Zé Pelintra lhe dá o tapa nas costas preparado o velório.
Boleiro bom tem altar em casa, carrega patuá e toma benção de santo.
Deixa uma vela branca na janela e uma vermelha no canto da casa.
Antes da partida joga farelo de pão na entrada do campo.
Quando vê alguém se coçar diante disso, corre.
E como corre.
Mordida de crocodilo arranca pedaço.





domingo, 2 de outubro de 2016

SACOLADA




02 de out.

Nada mais natural que uma sacola na feira.
Nela cabe frango.
Alface.
Quiabo.
É uma festa.
Tem dia que futebol vira feira, vai de galinha a alface. Em dias assim, é bom levar a sacola.
Começar o dia com pena na área, é garantia de domingo gordo. 
Teve frango e leitoa.
Essa é mais brava passou na frente do goleirão que nem um foguete. Ensaboada.
O pobre guapo. Esse?
Só falava.
Gritava.
Olha o quiabo.
Olha o alface.
Cadê o frango.
O com as penas do bicho na mão, olhou para o lado a procura de uma explicação.
E teve que aguentar a corneta do filho. que uniformizado na beira do campo gritava:
"Eh pai é assim que é pra fazer?"
Mas o dia só estava começando. 
Sabe aquela mochilinha no pé da trave?
Então.
Sacola.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

11.09.10




sobre 11 de set.

Os espaços são numéricos.
Essa é a mais pura verdade futebolística. Uma verdade matemática.
Os números são decisivos, definem-se no espaço, e ao definirem-se o reescreve.
Sou tomado da persistência de três números. Como a fixação de apostadores de Loteria. Do Jogo do Bicho.
11.
9.
10.
O 11, tal como o desenho dos numerais que o definem, verticaliza.
Avança e recua.
Mas sempre passa.
Em alta velocidade.
Com qualidade.
O 11. É bola de segurança. Polivalente.
Casa com  o 9.
Esse é o mais complexo.
É luminoso. Acende e apaga.
9 é o número que define poesia.
Risca o chão.
O 9 definitivamente é vetorial.
Mas a potência deste conjunto, desdobra-se no 10.
10 é 360.
10 é 1/2 esquerda, 1/2 direita.
Responsável por formar arcos.
É lápis de artista.
Como batuta de um maestro conduz a banda. Dá ritmo à bola.
No conjunto destes números o que há?
Apenas um conjunto.
Que somados aos outros, nos compõem.





 
 

domingo, 11 de setembro de 2016

A COXINHA

Cena do filme Estômago, direção de Marcos Jorge, 2007.

Sobre 07 de set.


Derrota é bebida amarga. Até desce, mas é difícil de engolir.
Imagina se essa derrota lhe custa uma coxinha.
Isso mesmo uma coxinha.
Jogar contra ex-equipe é difícil, todos te conhecem.
Jogo assim começa na véspera, na resenha da beira de campo que e se estende às redes sociais. 
Boleiro não dorme. 
Cansa do Whatsapp, procura o Facebook.
Tem uns que até ligam para incomodar.
É jogo que não acaba, começa na resenha e mantem-se na resenha. 
Entre uma e outra o que há é a partida.
Na pilha, sempre tem um esperando uma fagulha para explodir.
Tem jogador que some. Deixa o futebol em casa.
Jogo contra ex-time não tem derrapada, é pegada curta.
Mas há dias e dias como diriam os mais sábios filósofos dos botecos que rodeiam os campos.
Há dias que craques armam contra. Que se apequenam.
Agora, pior que perder, é parar na resenha do adversário.
Nitidamente "errar" o boteco.
E ainda ter que pagar a bebida?
Isso boleiro não perdoa. Errou a resenha. Acertou o passe.
Preço da negociação.
Uma cerveja gelada.
De troco?
Uma coxinha requentada.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A CADELA QUE DEIXOU EXU SEM MERENDA



Sobre 21 de agosto

Vem Preta.
E ela sequer olhou. Não latia, choramingava. Caminhava com dificuldades. Com muito sacrifício encontrou o vasilhame de água. E bebeu.
Bebeu a goles grandes. Goles de uma sede de ressaca. 
Sede que não acabava.
Esvazou-o e pediu mais. Após o segundo, abanava o rabo pedindo mais água. E assim repetiu o gesto mais umas cinco vezes.
Coisa de se estranhar.
Mais estranho ainda foi a origem da bebedeira, um despacho. Fora de encruzilhada. Parecia trabalho feito com endereço. 
Logo pensei. O Pai de Santo dos Gorilas F C agora deu de fazer serviço a domicílio. 
Porém, em atraso.
O freguês teve a carteirinha carimbada na manhã anterior.
O cardápio?
Fantástico.
Galinha preta na farofa regada a pinga. 
Muita pinga.
De ressaca, hoje nem latiu.




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

MEU MENINO TORNOU-SE HOMEM



sobre 14 de agosto

Em uma corrida tímida e descompassada atravessou o campo.
Eram seus primeiros passos. 
De meias até o joelho. Calçava um par de chuteiras emprestadas. 
Tudo era grande naquele momento.
O uniforme que sobrava, envolvia-lhe em tamanho dobrado.
O campo em sua infinitude.
Parecia nunca chegar, mas continuava a correr.
Foram longos segundos de corrida até o posicionamento final. 
Passara diante de meus olhos que tudo observava como se a eternidade se fizesse naquele momento.
Contemplei-o, com o orgulho da fera que ensina a caça a sua cria.
Em sua corrida, procurava equilibrar-se em um frágil corpo que seria testado entre homens. Estava dado o seu batismo.
O primeiro passe que recebeu ficou em família. 
Do recebido ao transferido.
Jogue plantado. Era o que lhe dizia.
Sempre digo isso aqueles que iniciam.
Depois do susto, jogou.
Jogou com personalidade.
Passou e recebeu.
Trombou.
Caiu.
Mas levantou.
Até arriscou a chutar.
Jogou tranquilo sob a sombra de meu olhar, que orgulhoso, via meu menino tornar-se homem.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

FOI DE BICO

Dada pelo Atlético Mineiro, marca o gol do título brasileiro de 1971 sobre o Botafogo.
Fonte: http://www.atletico.com.br/torcida/dada-maravilha/

ref. a 07 de agosto de 2016

Não existe gol feio. Feio é não fazer gol.
Essas palavras não são minhas, mas sim de Dada Maravilha, o "beija-flor".
Figura desengonçada em campo. Atacante do tipo caneludo. Acredito que Dada poderia se autodenominar, não beija-flor (em uma analogia que fazia em relação ao voo da ave e seus saltos), mas, o "atacante anatômico".
Era um especialista em fazer gol com qualquer parte do corpo.
Peito.
Canela.
Pescoço.
Barriga.
Costa.
Bobeou.
Bola na rede.
Defensor do gol e pronto.
Sem firula.
Entendia a mentalidade do torcedor. Entendia tanto que vestiu a amarelinha. quando usa-la representava algo de valor.
Era adepto de um tipo de chute muito comum no futebol de salão. Não o futsal. 
O velho futebol de salão, o jogo da bola pesada.
Batia de bico como poucos.
Isso mesmo, de bico.
Um chute seco de dois sons.
Tuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmm.
Fiiissssssssssssssssssssssssssssssssssss.
Se o goleiro estiver desatento, soma-se a esses, o som da rede.
A bola sai reta, sem parábolas.
Forte como um tiro.
Não é um chute dos mais belos. Mas é eficiente.
Ele sabia disso.
Romário, seu herdeiro. Sabia disso.
Maurão sabe disso.
Tentou de toca e chapa.
O goleiro defendeu.
Tentou cruzado.
Outra vez, lá estava o goleiro.
Parecia perseguição.
Incomodado, limpou o zagueiro e deu de bico.
Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmm.
Fiiiiiiiiiiiiisssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss.
Chuuuuuuuuuuuuuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
gol. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

FOI. NÃO FOI.

Expulsão de Pelé no San-São de 1961 pelo campeonato estadual, nesta partida o Santos perdia por 3x1. "Armando foi o árbitro que expulsou Pelé de campo. Foi quem errou uma contagem de pênaltis e fez com quem o campeonato paulista de 1973 terminasse empatado. Levou um soco de um dos maiores ídolos do futebol nacional, Nilton Santos".
Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/esportes/2014/07/armando-marques-expulsou-pele-apanhou-de-nilton-santos-e-empatou-uma-final-6757.html 

31 de jul. de 2016


Fico imaginando o que leva uma pessoa a assumir a função de assoprador em uma partida de futebol. Nunca está certo, pois toda decisão interfere em um dos lados.
Se não bastasse os marmanjos mal-humorados em campo,  ainda tem que lidar com as paixões externas as linhas.
Em tratados de psiquiatria, talvez, um dia abrir-se-á um campo exclusivo para o estudo deste quadro comportamental.
Sempre sozinhos. Volte e meia andam em três ou quatro. Até tentam se enturmar, mas basta colocarem o instrumento de assopro na boca para que tudo mude.
O boleiro sorridente já não o conhece mais.
Atenta contra a sua honra constantemente.
E o que faz a criatura?
Pondera.
É paixão de sobra nos alambrados (quando o campo oferece esse recurso). Um mar de gente pendurada, elogiando-o com os mais requintados palavrões. 
E o distinto senhor de preto? 
Impassível. Como se nada o atingisse.
 Sobre as cobranças da torcida? A coisa parece ser pessoal.
Os gritos cumprem as mais diversas funções. Das advertências sobre o espaço à preocupação com a saúde deste senhor:
"Ai juizão, tá cego?"
"filho da p... se não enxergar direito vai morrer"
" Ai professor, a gente não gosta de erros"
Há aqueles que são mais atrevidos, os insultos atentavam contra a honra de sua família:
"Cornooooooooooooo"
"Ladrão safado"
"Vai procurar a sua mãe na z... seu filho da p..."
Uma covardia. O que faz as vaias de estádio parecerem revolta de colegiais bem comportadas.
Futebol na várzea é pra homem. 
Árbitro então? Tem que ser homem duas vezes mais, ou louco.
Não pode errar.
Mas no futebol, o erro é relativo.
Ai amigo. Surgem os grupinhos e os justiceiro.
O torcedor tem um senso de justiça muito peculiar.
Entendeu que foi roubado, cobra no ato. Do jeito que for. 
E o boleiro não ajuda.
Tem jogador que treina tombos e rolamentos no meio de semana.
Fora os canelas de vidro e os chorões.
Um amigo. Árbitro. Disse-me uma vez como lida com os xingamentos dentro e fora de campo, abro aspas 
"Ao entrar em campo digo aos atletas, desejo a vocês e às suas famílias tudo que me desejarem".
Um mestre do constrangimento.
Sempre com um sorriso de canto de boca.



terça-feira, 26 de julho de 2016

JOACHIM LÖW: COM QUE ROUPA?



ref. 20 de jul. 2014
O sambista Noel Rosa, em 1929, compôs o arranjadíssimo samba "Com que roupa?". Era o malandro se aprumando. Tentando se reabilitar. Abrindo mão dos velhos vícios e a procura de um caminho.
Creio que os amigos leitores ao lerem o título deste texto, devam estar se perguntando o que há em comum entre Joachim Löw e esse samba do velho Noel.
Olha. Vivo de frases metafóricas. Até mesmo hiperbólicas.
Joachim Löw, assim como o velho Noel, sabem que o malandro só é malandro se tem o domínio da situação.
Durante quarenta e cinco dias, vi uma avalanche de esperança verde-amarela povoando ruas e os aparelhos de televisão.
Torcer não era mais um ato consciente, mas sim, um hit. Uma modinha de estação.
A melhor peruca. A camisa mais colorida. A pose do Fantástico.
Meu Deus.
Onde foi parar o velho e bom futebol?
Cadê a malandragem?
Tudo tão politicamente correto.
Hinos.
Censuras às vaias.
E os grandes pique-niques nas arquibancadas.
No campo.
Ah, o campo. O palco do malandro. Do futebolista por excelência.
Estava vazio.
O que via?
Cavalheiros. Homens corteses, dedurando uma falta cavada. concordando com o jornalistas moralistas.
Mas Deus é bom.
Nos deu Joachim Löw.
Isso mesmo.
Deus no auge de sua infinita bondade nos deu uma alemão que nos reapresentou à malandragem. Malandragem gritada em alemão na boca de um Thomas Müller. Em suas cavadinhas.
Um alemão que nos ensinou que malandro que é malandro, domina jogo. Toca a bola. Cai no campo. Cai não. Cava.
Enquanto isso, os cavalheiros do futebol ficam se dedurando ao árbitro.
Era uma malandragem importada, mas com a qualidade MADE IN BRASIL.
Foi uma epidemia moralista por longos quarenta e cinco dias.
De uma hora para outra todos queriam ser honestos em campo.
No futebol isso é impossível.
Qualquer um sabe disso.
Nos campos de peladas.
Nos campeonatos.
Nos amistosos.
Foi uma delicadeza geral.
Mas veio o trauma. 
A imprensa se calou. 
E a ordem natural das coisas voltaram.
Caímos em um choque de realidade.
Noel Rosa e Joachim Löw nos ensinaram uma coisa em comum. O futebol e o malandro se reinventam, só há bom futebol se este vier somado a boa malandragem.

BUSCAS FREUDIANAS



ref. 14 de set. de 2014 (um dia de luto)


Se estivesse vivo, o grande Sigmund Freud seria um ávido estudioso do futebol. As paixões decorrentes deste esporte tão misterioso e confuso, o intrigariam. E o mestre no auge de sua sabedoria diria:
É confuso por que é simples.
O pai da psicanálise se esbaldaria nas contradições geradas dentro de uma mesma partida. Dentro de um mesmo time.
As oscilações entre o êxtase e a tormenta.
O choro.
A vergonha.
A ira.
Tentaria entender os quadros mentais que se projetam em uma partida, sua estrutura. Sua lógica.
Lançaria-se a questões que tentariam explicar a perfeição e a apatia?
Perguntas minhas, que tento transferir a alguém mais competente.
Confesso a você meu caro, que mesmo me aventurando nessas leituras, não consigo respostas.
Há duas semanas, esforço-me em amadurecer uma reflexão digna da perfeição tática ocorrida na chácara da Graciosa. Na situação, ganhamos por 8 a 4. Foi um desfile de belos passes. Triangulações. A geometria do campo foi redesenhada por nossa equipe.
Retângulos.
Triângulos.
Circunferências.
A mágica matemática em plena ação.
A Matemática, é a ciência mais popular calculada e reinventada por boleiros.
Reinventamos o vento.
Isso mesmo. O vento.
Foi o que restou a nossos adversários.
Que humilhados sucumbiram.
Naquela partida havia frieza.
A frieza antagoniza com suas primas-irmãs apatia e arrogância.
Como a lenda grega de Hércules contra Hidra, todas habitam um mesmo corpo, uma mesma mente e são filhas da vaidade.
Se a frieza vem acompanhada da arrogância, não importa quantas vezes corte a cabeça desta Hidra, ele renascerá com outras duas.
A arrogância quando absorvida pela sua irmã apatia, leva o herói ao fracasso.
Dramático.
Mas assim é o futebol.
É uma tragédia, no sentido grego do termo.
O esporte das multidões.
Interfere em casamentos. Promove lutas homéricas. E frustrações abissais.
O amor intenso causa dor maior que traição ou até mesmo a morte.
E é do luto que escrevo essas linhas.
Hoje publicaria uma página em branco, tamanho meu luto.
Mas, o futebol, como diria Albert Camus, molda o homem, revela o seu caráter.
Sábias palavras, vindas de um homem que se dedicou à literatura e a posição mais solitária do campo: o goleiro.
E é dele que por justiça devo narrar a tragédia ocorrida nesta tarde.
O goleiro luta.
Luta sozinho.
Quando erra há a queda do mundo.
É gol.
Mas é uma luta travada por um homem só.
É pelos olhos do goleiro que medimos a frustração de um time.
E como o meu goleiro estava encabulado ao término da partida de hoje.
Foi o nosso melhor atleta em campo. Evitou que a humilhação virasse massacre.
Defendeu tudo que pode.
Contra um.
Contra dois.
Contra três. 
Contra quatro.
São as dores no corpo deste combatente solitário que denunciam a apatia de seus companheiros.
Foi o jogo de um goleiro contra um time.
Um jogo de um time só.
Simplesmente não jogamos, como prefiro dizer: não encaixamos.
Foi uma sapatada.
Humilhante.
Uma bela sapatada.
E voltando a Freud.
Lanço-lhe, caro doutor, uma pergunta pós morte. Para ecoar no além:
Como pode a perfeição e a mediocridade serem tão próximas?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

GARRAFADA

25 de jul. de 2016


Milagre bom.
É milagre que cura.
É tanta lesão que nos últimos anos acendi vela até para santo de terceiro escalão.
Boleiro é assim. Diz que cura. Faz.
De mandinga a garrafada já experimentei de tudo.
Pimenta em carteira.
Patuá no bolso ou no pescoço.
Fita de  Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora Aparecida no pulso.
Fumo em músculo estirado.
Arnica então. Nem se fala.
Até água benta na reza de pastor já provei.
Uma festa de ervas e rezas.
Mas lesão é que nem erva daninha.
Brota.
Arruma o coxa. Estraga a panturrilha.
E as receitas? 
Essas só aumentam.
Assim como as rezas.
De terreiro em terreiro. A que me surpreendeu veio da beira do campo.
De uma jovem senhora solidária. Daquelas que entendem o coração do boleiro. Sabe de suas paixões e dores.
Vendo-me abatido na margem do campo.
Uniformizado, ainda calçado com as chuteiras.
Indagou-me: "É joelho"
Disse: "Não, é tornozelo".
Continuou: "Já tentou arnica"
Desanimado: "Sim".
"- Hum!
Mas sabe que é seu moço, arnica sozinha não resolve".
Antes que disse qualquer coisa a mesma continuou:
"Tá vendo aquele rapaz ali dentro do campo?  O da camisa 10.
É meu marido. 
Tava condenado por todo médico que lhe examinou.
Tinha médico que dizia: É cirurgia e muita fisioterapia para voltar a andar legal. Futebol. Já era.
Olha como ele corre.
E tava condenado.
Tiraram umas duas seringas de sangue do joelho dele.
Tava condenado.
Quem vê ele correndo.
Não acredita.
Mas óia. 
Quem curou meu marido. Primeiramente foi a nossa fé em Deus e Nossa Senhora.
Mas acima de tudo. 
Foi a garrafa".
Mais que depressa, lhe peguntei que garrafada é essa.
Falou baixinho.
"- Foi um pai de santo forte. Dos bons.
O segredo da garrafada está na erva que vinha junto com a Arnica".
Mas que erva é essa? 
A prova do milagre estava voando em campo.
Custei a acreditar que aquele homem tivesse algum tipo de lesão.
"- Erva do capeta"
Praticamente sussurrou.
Mas onde encontro?
"-Encontra não. É proibida"
Mas o que é erva do capeta.
"-  A de dar tapa na macaca.
O pai de santo perguntou quem em nossa casa fumava o cigarrinho do diabo. Fiquei até ofendida, porque lá em casa somos todos de Deus. Mas tinha o meu cunhado. 
Esse mais que depressa foi num amigo dele e trouxe um pouquinho da Erva. 
Tá lá tiro e queda". 
E joga que é uma beleza.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

TEMPOS DE VÁRZEA

Fonte: http://papodevarzea.blogosfera.uol.com.br/ 

ref. 28 de mar. 2015
Quando se escuta a expressão Várzea, a primeira coisa que vem à mente é o futebol pegado.
Muita malandragem.
Intimidação. 
Um futebol até feio. Mas romântico.
As lembranças são muitas. 
Desde os gramados que eram um misto de terra e "grama". Os barrancos ao lado do campo, que volta e meia algum jogador ousado era arremessado ribanceira abaixo. Os córregos sumidores de bola.
Mas o mais marcante e saudoso, era a torcida em cima da linha, marcando o ponta, juntinho. 
Em uma linha que se esforçava para ser uma reta. Marcada no cal seco.
Não era raro, ver um tapa na bola em alguma reposição de lateral. Os mais ousados se arriscavam em uma chinela.
Aliás, quantos chinelos no campo.
Os elogios?
Ah, os elogios, como esses eram criativos.
Desde os mais simples, "você não vai sair vivo daqui não", até os fantasiosos "aqui primo tudo é família, mexeu, morreu".
As "Marias Alambrados" xingando incessantemente.
Os tiozinhos cornetas, reclamando da falta de qualidade do futebol atual.
Isso sim era paixão.
Em Londrina o futebol ficou muito chato. O folclórico Amadorzão, hoje está com uma estrutura que beira a um semi-profissionalismo. O Ruralzão, campeonato dos bundas sujas, pés pesados e brutos, virou uma sucursal de categorias de base. 
O Interbairros?
Esse morreu.
Para os boleiros só restam os clubes.
Um futebol sandalinha, que adocica machos.
O boleiro virou um chato.
Não bate. E odeia apanhar.
Faltam braços esticados.
Camisas puxadas.
Falta sangue.
O futebol está muito limpo.
Cadê a Várzea?
Simbolicamente morreu.
Morreu com o campo do Sebastião de Mello.
O glorioso campo do Mello, como era conhecido.
Por onde passaram todos os boleiros da Zona Norte.
Pelo menos os da minha geração.
Hoje tive um pequeno lampejo desse futebol que não existe mais.
Juiz mal intencionado.
Expulsando até por pensamento.
Torcida ameaçando, xingando.
E pancadaria.
Muita pancadaria em campo.
Até senti o cheiro da grama misturada ao pó da terra dos campos em que cresci.
Foi um bom jogo.
Corrido.

SARAVÁ PRETO VÉIO: PIMENTA NA CARTEIRA E BOLA NA REDE




ref. 16 de ago. 2015
Diversão de boleiro é coisa séria.
Talvez essa frase resuma o que penso eu e muitos outros boleiros da cidade.
A gente não sabe brincar.
Sangrar. Torcer joelhos e tornozelos, fazem parte de nossas brincadeiras em campo. 

Quem está de fora não entende. E nunca entenderá.
Quando perdemos, a cerveja fica mais amarga. Para ser sincero, nem desce.
Falta ânimo para a semana.
Entre o jogo perdido e o próximo, o tempo se arrasta. Vai mais de vagar.
Perdemos o sono, e com ele o bom humor.
Dia de derrota não tem piada.
E quando é time bom, o drama aumenta.
Ficamos sem saber para onde correr.
Alguns chegaram a cogitar oração.
Outros raça.
Cada um interpreta a fase com as forças que tem.
Mas insisto.

Má fase só passa com muito trabalho e bola na rede.
Quando a fase está feia, chute de bico é letra.
Carrinho é passe de mestre.
Mas é de mandinga em mandinga que vive o boleiro.
Não abro mão da pimenta.
Nem da reza forte.
Nem de algumas pegadas doídas.
Creio que todos estávamos com pimenta na carteira.
Um ou outro, creio que foi em culto no meio de semana.
O cara rezou tanto que nem xingou em campo.
Mas jogou. E como jogou!
O time jogou muito.
Bateu saudades da invencibilidade. Do time organizado em campo.
Aguerrido.
Afim de jogo. E pronto para o jogo.
Foram oito gols, poderiam ter sido doze.
Treze.
Criamos e marcamos.
Voltamos.

domingo, 10 de julho de 2016

E o frango soltou o "rabo"


10 de julho de 2016

O futebol e seus bichos. É uma festa, tem jacaré, gato, peixinho, coruja e o famoso frango.
A criatura galinácea, de todos, é a indesejada. Quando em campo, costuma fazer seu ninho na área. 
Escuta-se ao longe o seu cocoricocó.
Quando a bola passa. É pena pra todo lado. Uma correria geral.
Geralmente, essa criatura só se faz perceber no silêncio. 
Adora sair em segurança.
Ai, a coisa está feita.
Chute despretensioso e... Cococricocó.
Eis que passa o galináceo.
O pobre goleiro?
Cabisbaixo com as penas de seu "rabo" nas mãos.
Enquanto isso, a ave desmiolada salta e gira alucinadamente emaranhada na rede.
Cococricocó.
Cococricocó.
Vida de goleiro não é fácil.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

QUANDO UMA ESTRELA BRILHA

Terceiro gol do Brasil contra a Suécia, na goleada de 7 x 1 em pleno Maracanã, Copada do Mundo de 1950 (gol de Chico). Fotografia: Folhapress.


29 de junho de 2015
QUANDO UMA ESTRELA BRILHA
Há alguns meses uma estrela andava apagada, quase sem luz.
De um futebol altamente competitivo, passou a fazer jogos modestos, aceitando o papel de coadjuvante nas partidas. Ora reclamando de sua solidão em campo. Ora baixando a cabeça frente a má fase.
Um isolamento imposto. Coisa do futebol e de suas panelas.
Mas estrelas tem brilho próprio e não se apagam facilmente.
Suave em campo, é um jogador que me lembra em muito o jeito de jogar do Danilo (do meu amado Corinthians). Esconde a bola. Parece lento. Inteligente.
E acima de tudo, mortal vindo do fundo.
Talvez seja isso.
Talvez a resposta para esse período sem luz esteja no fundo.
Um fundo que por algum tempo deixamos de usar.
Então, chego a conclusão que o brilho dessa estrela não havia se apagado, mas sim neutralizado pelo esquecimento.
Neste fim de semana quis brilhar, e brilhou.
Aceso, fez dois gols.
Com a perna esquerda, sua perna ruim, Encontrou a trave. Lance que lhe tirou o sono.
Sempre silencioso, do fundo, criou,
uma,
duas,
três, uma infinita série de condições de gol.
Voltou a brilhar, a irradiar o campo.
Dizem que estrelas brilham por muito tempo.
Assim espero.